Depoimentos

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Valdivino Clóvis dos Remédios, que acompanha o trabalho do Idaco há muitos anos, é um símbolo de resistência de um ideal de divisão igualitária de terras. Morador de São Roque, ele é um dos últimos assentados do local. Onde antes havia 28 famílias de posseiros, há agora 300 famílias que compraram deles as terras para a construção de casas de veraneio e condomínios. Pelo passado e presente costurados pelo movimento sindical e pela forte ligação com as questões da terra, Valdivino e o IDACO têm suas histórias entrelaçadas em pontos marcantes. É sobre tudo isso que o agricultor fala de maneira emocionada nesse depoimento.

“Não adianta colocar o povo na terra e não dar educação”.

“A luta de São Roque era a luta pela Reforma Agrária. Naquela época, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Paraty fazia contato com o pessoal das fazendas para conseguir posses para as famílias. Eu, que sempre fui trabalhador rural sofrido, entrei no sindicato para lutar por isso. Mas os resultados dessa luta não são muito positivos aqui. Os posseiros ganhavam a terra e vendiam tudo. Não adianta colocar o povo na terra e não dar educação. Não tem como dar certo assim. Hoje eu tenho cinco hectares de terra lá, mas o resto está tudo loteado. Isso me dá vergonha. Me dá vergonha ver isso porque a reforma agrária é feita pro trabalho, não para a venda de terras. Dos 28 posseiros do começo, sobraram só 5 famílias. Terras em São Roque, Serraria e Itaquari foram desapropriadas pelo Agostinho Guerreiro, que na época dirigia o INCRA e hoje é coordenador do IDACO. Mas depois, o INCRA começou a dar terra pra quem não trabalhava. Esse foi o erro. Não houve fiscalização, qualificação e quem recebeu as terras do governo federal, vendeu. Eu tenho vergonha disso. Muita vergonha. Por isso acredito hoje no trabalho que vem com o PDA Mata Atlântica. O PDA é educação. O PDA é o que a gente esperava da reforma agrária que nunca veio. O povo é inocente e precisa ser educado. Com o PDA aí, resolvi: vou fazer minha casa com o palmito. Digo e repito: minha terra vai ser sempre pra plantar, não pra vender. Hoje eu vendo o palmito pupunha. Consigo tirar lucro dele vendendo o suco, a garrafada, que é muito boa e o povo gosta muito”.

Valdivino Clóvis dos Remédios Trabalhador rural assentado em São Roque


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“O Movimento dos Sem Terra tem lutado pela Reforma Agrária, para uma maior quantidade de terra para quem sabe produzir e para que esta produção seja levada ao consumidor sem agrotóxicos e por um preço mais barato. Não basta o apoio e a teoria. Temos que partir para a prática. Queremos que esse movimento seja reconhecido nacional e internacionalmente”.

Amaro Ferreira
Assentado do Mutirão do Guandu, Fazenda Boa Esperança


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“Fizemos boas amizades e concluímos trabalhos, os últimos relacionados à comercialização. Na comunidade, cada um tem sua lavoura individual e pequenos grupos, mas a venda da produção e o preparo do solo é coletivo. O produto é meu enquanto está na roça. Saiu, passa a ser de responsabilidade da associação”.

Zé Brum
Pequeno Produtor Rural de São Domingos, Conceição de Macabu. 


“Os trabalhadores rurais assentados em projetos de Reforma Agrária no estado do Rio têm enfrentado uma série de dificuldades nos últimos tempos. Isso fez com que eles se desmobilizassem e praticamente deixassem de existir como movimento organizado.
Ainda assim, o movimento continua vivo. De acordo com as dificuldades de cada um, na medida do possível, os trabalhadores se organizam em comissões e acompanham diversos processos de regularização fundiária e repasses de recursos aos assentados, além de desenvolverem atividades culturais, visando romper o isolamento em que os assentados estão nas suas lutas específicas”.

José Ribamar Nava Alves
Produtor Rural do Rio de Janeiro
“A relação entre o Idaco e a comunidade de São Domingos sempre foi muito boa.